2007/02/13

Ricos, mas pobres

Cada um de nós tem a sua própria identidade, é um facto. Mas podemos facilmente encontrar grupos com comportamentos semelhantes na sociedade, desde os mais humildes aos mais sofisticados.
Imaginemos um rapaz do interior, filho de dono de uma mercearia de aldeia, normalmente o tipo mais rico do sítio a seguir ao trolha que emigrou e se transformou em empreiteiro.
Este rapazola começou de pequenino a roubar chocolates lá da mercearia e, mais tarde, a meter a mão na gaveta da “massa” para sacar umas notitas necessárias para umas incursões às discotecas. Mal fez 18 anos, vai de tirar a carta de condução, independentemente do curriculum de faltas e más notas na escola. O Pai compra-lhe um carrito em 2ª mão, o que frusta as suas expectativas de obter um BMW descapotável novo, mas não se dá por vencido. Sabendo que o pai tem conta na oficina do Zé Chouriço, o rapaz consegue “artilhar” a máquina, que fica a dar “ cento e duzentos”. Os anos passam, o filho do comerciante, cresce, inscreve-se num partido e torna-se director-geral de uma empresa pública.
Vejamos agora a evolução do filho de um professor de Liceu.
Habituou-se desde criança a observar as tertúlias de fim de semana lá em casa, sempre que o pai convidava alguns amigos para um jantar. Nesses encontros apartidários, falava-se de tudo, desde a genialidade de Mozart até ao estado indecoroso em que políticos corruptos e incompetentes colocaram este país. Foi crescendo neste ambiente, esforçou-se por conhecer cada vez mais e melhor e licenciou-se em História e Filosofia. Conseguiu um emprego de escriturário na Associação lá da terra e, quando esta deixou de receber subsídios do Estado, caiu no desemprego.
Mais vale um burro esperto do que um inteligente convicto.

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